O blackout que me tirou do digital… e do sério

Mai 1, 2025 | Artigos

Quando o Mundo está Offline

(e o meu blog já previa isso!)

Olha… nem de propósito. O apagão que aconteceu no dia 28 de abril na Península Ibérica foi quase como uma validação do meu blog: amicidesigner.pt/offline. Não estava a desejar um caos, claro, mas ver o “offline” tornar-se tão real e tão geral foi, no mínimo, irónico.

Trabalhar como designer gráfica freelancer e gestora de redes sociais é viver colada ao digital. Mas desta vez, não foi só a internet que foi abaixo — foram também as comunicações e até a eletricidade em todo o país.

Resultado? Zero sinal, zero rede, zero respostas. Nem dava para avisar clientes, nem para dizer “olha, não consigo trabalhar hoje”… nada. Isso sim, deixou-me stressada.


Sobreviver ao apagão

(modo freelancer ativado)

Na prática? Consegui desenrascar-me enquanto o computador teve bateria, os dados móveis ainda estavam ativos (por milagre) e, como sou precavida, tinha os ficheiros todos num disco externo. Mas confesso: mesmo com esses recursos, o sentimento de estar totalmente desconectada do mundo foi desconfortável.

Estava tudo tão parado que até o barulho da ventoinha do portátil parecia alto demais.
E no meio desse silêncio digital forçado, percebi que talvez eu precise mesmo é de aprender a desligar… mas por vontade própria, não por falha geral do sistema.


O lado prático (ou a falta dele)

Se achas que o maior problema foi não conseguir trabalhar, espera até saber o resto.
Não tinha lanterna (sim, eu sei), não tinha rádio a pilhas para perceber o que se estava a passar e, como o meu fogão é elétrico… adivinha? Também não funcionava.

Nada de café, nada de comida quente, e eu ali, a olhar para a escuridão como se estivesse num filme pós-apocalíptico.

O que me valeu foi ter uma vizinha que, com os seus 80 e muitos anos, é uma querida e fez uns ovos mexidos para o nosso jantar. 🥲

Foi aí que me caiu a ficha: não estou minimamente preparada para estar offline no mundo real. Estou habituada a ter tudo à distância de um clique — mas e quando os cliques não funcionam?

Agora já estou a pensar em montar um mini kit de sobrevivência: lanterna, rádio a pilhas, power bank carregado, snacks, talvez até velas (das que cheiram bem, porque já que é para sofrer, que seja com estilo). Pode parecer exagero, mas depois de ontem percebi que o offline verdadeiro é mais do que não ter internet — é não ter base nenhuma para o dia a dia.


O que isto me fez repensar?

  • Backups e planos B são obrigatórios. Não é drama, é real. Estar preparada evitou que ficasse completamente sem poder fazer nada a nível do trabalho — já nas pequenas coisas do dia a dia… foi caótico.

  • A nossa dependência digital é assustadora. Bastaram umas horas (e não foram poucas) sem comunicações para sentir que estava isolada do mundo.

  • O offline pode ser um sinal de alerta. Aproveitei para pôr ideias em ordem, escrever num caderno, refletir sobre a minha rotina (e a dependência de estar sempre online)… e até ler um livro.


Moral da história?

Não temos controlo sobre apagões, bugs, falhas de rede ou torres de comunicações.
Mas podemos aprender com eles. E ontem, o universo mandou uma mensagem bem clara (mesmo sem sinal):
👉 desliga um bocadinho — mas por escolha, não por acidente.

Agora que tudo voltou ao normal, deixo-te esta pergunta:
Se o mundo desligasse hoje outra vez, estavas preparado/a?
(E se tiveres dicas para montar um kit básico de sobrevivência, partilha comigo — porque eu estou mesmo a precisar!)