Offline

Mar 30, 2025 | Artigos

Infância nos Anos 70,  adolescência nos Anos 80 e Adulta nos anos 90, melhores décadas do século XX😏

Ou seja, sou de uma época em que a palavra “offline” 🛜nem existia

– porque, convenhamos, para estarmos offline, primeiro teríamos de estar online, e isso era coisa de “Espaço 1999”.

Na minha infância, a única rede social que existia era a rua,

onde a informação circulava mais depressa do que qualquer fibra ótica. Se houvesse uma briga entre miúdos ou alguma brincadeira mais parva, em menos de cinco minutos a história já tinha chegado às nossas mães por um sistema de transmissão oral altamente eficiente (vulgo, as vizinhas).

Sobrevivemos sem Wi-Fi, sem Google e sem notificações a apitar a cada cinco segundos.

Quando precisávamos de informação, tínhamos de ir a uma biblioteca ou, em último caso, perguntar a um tio que pensava que sabia tudo (no meu caso o meu padrinho, e sim ele era uma enciclopédia).

Na adolescência se queríamos falar com alguém, tínhamos de marcar um encontro e APARECER,

e rezar para que chegasse a horas, porque malta!!… tinha e ainda tenho amigas que pontualidade não é com elas.

Sem mensagens de última hora a dizer “já vou”, “estou quase”, quando na verdade a pessoa nem saiu de casa.

Ou então passar horas no telefone de casa, sentados no chão e colocar as fofocas em dia,

Em adulta tenho na memória as melhores e piores experiências que a vida me deu!

Também tenho nos álbuns de fotografia e em VHS, não vivíamos na pré-história 😁, mas só um grupo de pessoas muito restrito tem acesso a elas,

Graças a Deus ainda não existiam redes sociais

não tenho nada de muito grave para divulgar, eram apenas umas tosgas onde não se fazia mal a ninguém apenas figuras tristes, mas que se fosse agora eram o suficiente para “marcar” essa pessoa para sempre.

Hoje, basta a internet ir abaixo durante cinco minutos e entramos em pânico. O que antes era normal agora é emergência.

  • “Não há internet, e agora?”

  • “Como é que eu trabalho?”

  • “Como é que eu vivo?”

😭O desespero toma conta de nós. Reiniciamos o router como se estivéssemos a fazer respiração boca a boca a um paciente em paragem cardíaca. Ligamos para a operadora como quem chama o 112:

“É URGENTE, SOCORRO!”

Eu estou a incluir-me nesse “pânico”. A sociedade está neste momento 99% dependente do Online.

Eu estou dependente 100%.

Os programas em que trabalho estão instalados em Cloud, a Adobe para o design gráfico “em Cloud” o Outlook para os e-mails “em Cloud”, os bancos de imagem “em Cloud”…

Quando a Internet falha é mesmo a tragédia, o horror!!

Claro que quando trabalhava para outrem eram minutos Santos 😎, aproveitavam para fumar um cigarrinho, conversar com a best do trabalho etc 😜😏

Se calhar, está na hora de redescobrirmos o modo offline sem entrar em colapso.

Lembrar que a vida continua sem notificações, sem e-mails e sem vídeos de gatos fofinhos (ok, essa última parte custa um bocadinho).

Talvez possamos voltar a olhar para as estrelas, para as pessoas à nossa volta e, quem sabe, até conversar sem intermediação de ecrãs.

Ou então, podemos simplesmente aceitar que vivemos noutra era e que o verdadeiro desespero do século XXI não é ficar sem comida ou sem água, mas sim sem… Wi-Fi.