Infância nos Anos 70, adolescência nos Anos 80 e Adulta nos anos 90, melhores décadas do século XX😏
Ou seja, sou de uma época em que a palavra “offline” 🛜nem existia
– porque, convenhamos, para estarmos offline, primeiro teríamos de estar online, e isso era coisa de “Espaço 1999”.
Na minha infância, a única rede social que existia era a rua,
onde a informação circulava mais depressa do que qualquer fibra ótica. Se houvesse uma briga entre miúdos ou alguma brincadeira mais parva, em menos de cinco minutos a história já tinha chegado às nossas mães por um sistema de transmissão oral altamente eficiente (vulgo, as vizinhas).
Sobrevivemos sem Wi-Fi, sem Google e sem notificações a apitar a cada cinco segundos.
Quando precisávamos de informação, tínhamos de ir a uma biblioteca ou, em último caso, perguntar a um tio que pensava que sabia tudo (no meu caso o meu padrinho, e sim ele era uma enciclopédia).
Na adolescência se queríamos falar com alguém, tínhamos de marcar um encontro e APARECER,
e rezar para que chegasse a horas, porque malta!!… tinha e ainda tenho amigas que pontualidade não é com elas.
Sem mensagens de última hora a dizer “já vou”, “estou quase”, quando na verdade a pessoa nem saiu de casa.
Ou então passar horas no telefone de casa, sentados no chão e colocar as fofocas em dia,
Em adulta tenho na memória as melhores e piores experiências que a vida me deu!
Também tenho nos álbuns de fotografia e em VHS, não vivíamos na pré-história 😁, mas só um grupo de pessoas muito restrito tem acesso a elas,
Graças a Deus ainda não existiam redes sociais
não tenho nada de muito grave para divulgar, eram apenas umas tosgas onde não se fazia mal a ninguém apenas figuras tristes, mas que se fosse agora eram o suficiente para “marcar” essa pessoa para sempre.
Hoje, basta a internet ir abaixo durante cinco minutos e entramos em pânico. O que antes era normal agora é emergência.
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“Não há internet, e agora?”
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“Como é que eu trabalho?”
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“Como é que eu vivo?”
😭O desespero toma conta de nós. Reiniciamos o router como se estivéssemos a fazer respiração boca a boca a um paciente em paragem cardíaca. Ligamos para a operadora como quem chama o 112:
“É URGENTE, SOCORRO!”
Eu estou a incluir-me nesse “pânico”. A sociedade está neste momento 99% dependente do Online.
Eu estou dependente 100%.
Os programas em que trabalho estão instalados em Cloud, a Adobe para o design gráfico “em Cloud” o Outlook para os e-mails “em Cloud”, os bancos de imagem “em Cloud”…
Quando a Internet falha é mesmo a tragédia, o horror!!
Claro que quando trabalhava para outrem eram minutos Santos 😎, aproveitavam para fumar um cigarrinho, conversar com a best do trabalho etc 😜😏
Se calhar, está na hora de redescobrirmos o modo offline sem entrar em colapso.
Lembrar que a vida continua sem notificações, sem e-mails e sem vídeos de gatos fofinhos (ok, essa última parte custa um bocadinho).
Talvez possamos voltar a olhar para as estrelas, para as pessoas à nossa volta e, quem sabe, até conversar sem intermediação de ecrãs.
Ou então, podemos simplesmente aceitar que vivemos noutra era e que o verdadeiro desespero do século XXI não é ficar sem comida ou sem água, mas sim sem… Wi-Fi.
